Uma década de arte

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Batemos um papo com o grafiteiro Du2, que em 2019 completa 10 anos de sua trajetória artística

Por Rodrigo Bilhalva Moncks e Thais Marques

 

Eduardo José Scorteganha Filho, mais conhecido como Du2, é o autor de muitas das obras que colorem, embelezam e promovem a cultura nas ruas e espaços de Cascavel. O artista de apenas 25 anos de idade é hoje um dos principais nomes do grafite na região, e em 2019 completa 10 anos de sua trajetória e relação íntima com a arte de rua. Conversamos com ele sobre o início dessa história de sucesso, referências e inspirações, dificuldades no processo das obras, cenário cultural do grafite e mais. Confira:

Eduardo José Scorteganha Filho (Du2) – Artista

Revista Touch: Como você entrou no universo do grafite?

Du2: Fui introduzido aos poucos. Quando criança desenhava bastante, e os elogios me cativaram para continuar gostando e desenhando cada vez mais. Me sentia muito atraído pelas culturas de rua, os movimentos de Hip Hop, o skate e a amizade foram porta de entrada para eu conhecer o grafite e, assim, iniciar essa jornada.

Revista Touch: Quais são os itens básicos necessários para que alguém comece a grafitar? E quais são os equipamentos ideais, que garantem uma boa prática ao artista?

Du2: Normalmente usamos tinta acrílica a base d’água e sprays criados para a prática do grafite, esses materiais eu considero ideais. Para a segurança, procuro usar uma máscara com filtro de carvão, algo que recomendo. Existem vários processos de pinturas e vários tipos de ferramentas que podem resultar em arte, o importante é estar confortável o suficiente com a ferramenta para fluir a criatividade!

Revista Touch: Quais são suas referências artísticas, quais movimentos/artistas te inspiram, dentro e fora do universo do grafite?

Du2: Gosto de apreciar todo tipo de arte. Existem muitas referências, pois somos bombardeados todos os dias com elas. Embora goste de inúmeros artistas/movimentos e os admire muito, minha maior referência está nas artes criadas pela natureza, desde as folhas até a geografia do nosso planeta, ou a organização dos animais e dos astros para cumprirem com seus ciclos. A natureza é, sem dúvidas, a maior artista – basta observar a ação do tempo ao nosso redor, é fascinante!

Revista Touch: Por ser uma arte feita em espaços muito maiores do que papéis e telas, o grafite apresenta dificuldades únicas ao artista. Quais são elas? Quais são as vantagens de criar uma obra em uma parede ou muro?

Du2: Tudo tem seus lados bons e ruins. As dificuldades para produzir trabalhos como murais envolvem tempo/clima, pois muitos locais não têm cobertura e ficam em área externa, e com chuva é difícil trabalhar. Antes passávamos por uma segregação cultural por conta do preconceito e julgamento que tinham com a arte pública, essa dificuldade foi uma barreira derrubada por muitos artistas, e aos poucos a inclusão já fez a diferença positiva na própria sociedade com a existência de mais arte nos espaços. Embora a luta contra o separatismo não tenha acabado, hoje para a prática do grafite/muralismo as dificuldades serão mais voltadas aos recursos do que em relação a aceitação. As vantagens disso tudo se encontram na própria dificuldade. Para quem trabalha com arte, todo obstáculo é uma chance de testar sua criatividade. Esse processo faz com que você desenvolva uma resiliência e autoconfiança, características importantes para a jornada artística.

Revista Touch: O grafite é originalmente um movimento de contra-cultura, mas nesse século passou a ser aceito e apreciado por um público que antes o criticava (e era criticado por ele). Como você enxerga essa mudança, e de que forma a maior aceitação afeta o grafite, positiva e negativamente?

Du2: Tudo tem seu momento. Estamos vivendo um movimento artístico, que é essa expressão urbana, não só o grafite, mas muitas contra-culturas e outros comportamentos são desaprovados pela massa coletiva. Nosso compromisso é continuar propagando a arte, por ela fazer parte do convívio entre seres humanos e sua comunicação desde a essência nós não podemos ignora-lá. Hoje ela ocupa um papel profissional e de lazer na vida das pessoas, gerando uma carreira ou momentos de descontração. Mas a missão da arte vai além, a prática e o contato é transformador, tanto para quem aprecia quanto para quem cria. É uma verdadeira terapia, eu considero uma meditação para a alma.

Se preferir, clique abaixo para acessar a matéria na versão web da Revista Touch:

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