Mottainai Jardins Comestíveis

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Fotos: Estevan Reder

Criados para combater as pragas que atingem as lavouras, os agrotóxicos têm virado inimigos de muita gente que, a fim de evitar a ingestão de toxinas, acaba optando pelo cultivo do próprio alimento, por meio dos jardins comestíveis. A substituição das flores por mudas, temperos e hortaliças, além de trazer benefícios ao corpo humano, ajuda a preservar o meio ambiente.

Algumas pessoas deixam de plantar seu alimento por medo de não saberem cuidar das mudas, enquanto outras, após experiências frustradas, acabam desistindo. Mas para quem já tem seu próprio “jardim comestível” uma coisa é certa: não é preciso mais do que terra e boa vontade. Se tiver um quintal enorme, ótimo, mas morar em um apartamento não deve ser encarado como um empecilho, uma vez que as mudas podem ser suspensas, penduradas na sacada ou na própria cozinha.

Graduada em Psicologia e Direito, a vegetariana Mayuli Bitencourt Mizubuti, de 31 anos, resolveu largar o emprego de psicóloga e mudar de vida, levando apenas os cachorros e a horta, que já mantinha em Cascavel, até a capital catarinense. Em Florianópolis, ela criou o projeto Mottainai Jardins Comestíveis, que auxilia pessoas que querem cultivar o próprio alimento e não sabem por onde começar. O nome é uma homenagem à avó que, de acordo com ela, sempre enchia o prato dos netos e os fazia comer mesmo quando já estavam satisfeitos, para que a comida não fosse para o lixo. Mayuli conta que a Batian (“avó” em japonês) foi quem a ensinou a plantar, produzir e, acima de tudo, ter amor por qualquer atividade exercida.

Os jardins comestíveis podem ser de infinitos tipos e tamanhos, mas é preciso estar atento a um fator imprescindível: a incidência de Sol no local escolhido. De acordo com Mayuli, a melhor alternativa para nutrir a horta e contribuir com o desenvolvimento rápido das mudas é a compostagem, que consiste no reaproveitamento de sementes e cascas de alimentos. Ao transformar a matéria orgânica em adubo, as plantas crescem de maneira saudável e o meio ambiente é preservado com a diminuição do lixo. Em casas, a compostagem costuma ser feita em um buraco no chão ou triturando os alimentos e colocando direto nos canteiros. Em apartamentos, são recomendados baldes ou caixas adaptadas, que cumprem seu papel no processo mesmo em espaços limitados.

Quanto ao crescimento ideal das plantas, ela destaca que o fundamental é observar. Sinais físicos de desequilíbrio como manchas de ferrugem, folhas amareladas e fungos, causados por falta de nutrientes e exposição ao sol, são bastante comuns. O excesso de água também pode ser prejudicial. Por isso, é indispensável pesquisar as particularidades de cada tipo de cultura e entender suas necessidades.

A idealizadora do Mottainai afirma que é preciso não apenas falar sobre o desperdício, mas fazer todo o possível para reduzir o lixo. Iniciativas como o uso de plásticos para confecção de vasos e o reaproveitamento de telhas e garrafas não retornáveis são um bom começo para quem quer começar um jardim comestível. Outra dica interessante é o uso do rolinho que sobra do papel higiênico, que pode trocar o lixo pela horta. Podendo ir direto para a terra, ele é rapidamente biodegradado, e funciona como proteção para as mudas.

Essas são apenas algumas das dicas oferecidas pelo Mottainai, que busca se adaptar às necessidades dos clientes atuando diretamente na instalação e manutenção dos jardins, além de promover oficinas. O projeto também atua na confecção de mudas suspensas, que podem servir como decoração ou lembrancinhas de festas e eventos.

Tem um espaço sobrando aí, em terreno ou praça próximos à sua casa? Junte os vizinhos, entre em contato com o Mottainai pelo Instagram ou envie um e-mail para jardimparacomer@gmail.com e comece hoje mesmo seu jardim comunitário!

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