Biblioteca Cascavel

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Fotos: arquivo Revista Touch

 

Fernando Melchior – Dono e diretor artístico do Biblioteca Cascavel

Fernando Melchior, 27 anos, arquiteto formado, dono e diretor artístico do Biblioteca Cascavel, a balada LGBT que conquistou todos os públicos. Quem enxerga apenas o cenário atual de sucesso nem imagina a trajetória de dificuldades do empreendedor. A ideia inicial era abrir um local novo em Cascavel que atingisse todos os públicos. “Eu queria que as pessoas pudessem se sentir em casa na balada, sem se preocupar com roupas chiques, valor da entrada e camarotes”, diz Fernando. No dia 10 de janeiro de 2014, o Biblioteca abriu as portas pela primeira vez.

A equipe começou com apenas seis pessoas, sendo quatro delas os próprios sócios e mais duas contratadas (uma delas era o segurança!). “Foi horrível. Nos primeiros meses a gente fechava na sexta-feira e ia para a frente do mercado, dormia dentro do carro até as oito horas da manhã e comprava poucas unidades de cerveja, refrigerante, água, com o dinheiro da noite anterior. Depois de preencher todos os freezers íamos para casa dormir um pouco e voltávamos na parte da tarde para abrir novamente”, relembra Fernando.

Em pouco tempo, duas das sócias optaram por não participar mais do negócio. Um ano depois, outro sócio decidiu sair e Fernando passou a tocar o empreendimento sozinho. “Foi muito difícil, porque eu tinha que tomar todas as decisões, não tinha mais ninguém para pedir opinião e me ajudar. Era eu e eu”, comenta. As dificuldades eram incontáveis. Fernando explica que foi bastante complicado conquistar o respeito das empresas e fornecedores. Além disso, o público também demorou a identificar o local e entender a proposta. “Queríamos ter um lugar para todos, mas até hoje temos a dificuldade de as pessoas não entenderem a nossa identidade e chegarem ao local achando que é outra coisa, faltando com respeito e gerando confusão”.

Os freezers também não eram os mais adequados no começo, pois as distribuidoras de bebidas não queriam colaborar com a casa por conta do posicionamento LGBT. “Tudo foi conseguido batendo metas, comprando várias vezes até os fornecedores perceberem que a gente tinha estrutura”. Fernando sentiu que o empreendimento realmente poderia crescer quando ouviu a verdade das pessoas. “Eu fiz uma reunião com 15 pessoas talentosas de Cascavel que poderiam ser meu público-alvo e pedi qual era a opinião deles sobre a casa. Foi aí que eu notei que eles queriam aquele espaço e que não estavam satisfeitos com os outros locais da cidade”. Essas 15 pessoas se envolveram com o projeto e montaram uma equipe forte e posicionada, trabalhando como djs, produtores, drag queens e promoters. A partir desse momento, o time do Biblioteca cresceu cada vez mais. Hoje são cerca de 50 pessoas trabalhando na equipe, sendo 17 não-binários, negros ou transexuais.

No quesito estrutura, Fernando sempre se preocupou em melhorar. A primeira reforma foi em janeiro, quando a casa abriu. A mesma foi feita em apenas 15 dias! A segunda reforma aconteceu no aniversário de um ano do Biblioteca e a terceira no aniversário de dois anos. A quarta reforma, que acabou de acontecer, foi a mais revolucionária. “Eu achava que a ‘bibs’ ia ser sempre pequenininha, para 120 pessoas. Hoje a capacidade de público é de 695 pessoas. É muito louco chegar nesse número”. Aos poucos o ambiente foi sendo moldado. “Primeiro abrimos uma pista menor, depois tivemos que aumentar a pista, abrir mais um bar, melhorar os banheiros, aperfeiçoar o sistema de caixas, comprar mais ar condicionados e trabalhar para construir uma área externa grande e estruturada”.

E se você pensou que o curso de Arquitetura não ajudou em nada, está enganado! Fernando conta que utilizou todas as experiências e ensinamentos da faculdade para tornar o seu negócio ainda mais organizado e do jeitinho que ele queria. “Toda a questão de decoração envolve o que eu quero refletir para o meu público, desde o revestimento utilizado até o tipo de luz. Eu não posso dizer que quero atingir todas as atmosferas se as pessoas se sentirem constrangidas num local que não transmite isso. Tenho que oferecer um serviço de qualidade, um lugar simples mas com bons drinks, áreas para sentar, conversar e dançar”, explica.

Fernando comenta que é sempre muito cauteloso quando o assunto é dinheiro. “Defini que eu não poderia esbanjar e que precisava tentar me organizar, comprar sempre à vista, parcelar o mínimo possível e fazer o que estava ao meu alcance”. Sobre a possibilidade de expansão e franquias, Fernando mantém o pé no chão. “Já passei por uma situação dessa e não foi muito vantajosa. Abri uma franquia em Foz do Iguaçu e a cidade não comprou a ideia. Claro que a gente quer expandir os negócios, mas acho que com mais planejamento, mais organização, mais direcionamento. Então eu penso sim em expandir, mas com muita cautela”, enfatiza.

Assista ao nosso vídeo especial com o empresário para saber mais sobre a história de sucesso do Biblioteca!

 

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