@BelaCareca

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Fotos: Arquivo @BelaCareca

O Outubro Rosa é um movimento popular que tem como objetivo conscientizar as mulheres do mundo todo sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, o tipo mais frequente entre o sexo feminino. Durante todo o mês são realizados eventos técnicos, palestras, debates e apresentações sobre o tema, com a participação de entidades e voluntários.

Juliana Loiola

Em 2017, o movimento ganhou um significado especial para Juliana Loiola. Ao passar hidratante no corpo, ela sentiu um nódulo no seio esquerdo e imediatamente procurou o médico que, após a realização de alguns exames, confirmou o diagnóstico de um tipo raro e agressivo de câncer de mama. “Fiquei em estado de choque, não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Como uma pessoa tão jovem poderia estar com câncer de mama? Só depois de alguns dias comecei a aceitar a situação, entendi que aquele toque, no dia 13 de maio de 2017, tinha salvado a minha vida”. Se for diagnosticado em fase inicial, o câncer de mama possui grandes chances de cura. O diagnóstico pode ser feito em casa, pela própria mulher, deitada ou durante o banho. Após os 40 anos, a mamografia deve ser realizada anualmente.

Como deve ser feito o autoexame?

Deslize os dedos da mão esquerda suavemente, em movimentos circulares, por toda a mama direita. Repita o movimento utilizando os dedos da mão direita para examinar a mama esquerda.

Aos 34 anos, ela conta que se manteve forte pelos familiares, principalmente a mãe e o marido, que ficaram mais abalados com a notícia. As mudanças na rotina foram essenciais no tratamento, que tem sido um sucesso. “No meu caso foram previstas doze quimioterapias brancas e quatro vermelhas. Até o momento fiz treze, mas na sexta sessão o nódulo já havia praticamente desaparecido. Ainda tem a cirurgia e talvez algumas sessões de radioterapia, mas todo o medo se transformou em esperança e otimismo”.

O que diferencia a quimioterapia branca da vermelha?

A diferença está no tipo de medicação administrada, que pode promover variação dos mecanismos de ação e causar diferentes efeitos colaterais. A quimioterapia branca tem como principais efeitos colaterais: neuropatia, dores nas articulações, queda de cabelo, diarreia, náusea e vômito. Esse tipo de quimioterápico também provoca redução das defesas do organismo contra infecções, causada pela queda dos glóbulos brancos.

Os efeitos colaterais mais comuns da quimioterapia vermelha são: queda de pelos e cabelos, náusea, vômito, surgimento de aftas e inflamações na região da boca, queda no número de glóbulos brancos e plaquetas e anemia – causada pela diminuição das células do sangue. Em casos mais raros, a quimioterapia vermelha pode gerar insuficiência cardíaca. Por isso, não é indicada para pacientes com doenças cardíacas ou arritmias graves, que tenham sofrido infarto agudo do miocárdio recentemente ou portadores de insuficiência hepática.

A advogada reduziu o ritmo de trabalho, passou a se alimentar melhor, praticar atividades físicas regulares e ainda encontrou um meio para se unir a outras mulheres que estão na mesma luta: criou um perfil no Instagram para compartilhar informações úteis sobre o assunto. “A ideia foi da Priscila Driessen, uma grande amiga minha, que ficou inspirada com a forma como venho encarando o tratamento e resolveu me incentivar a ajudar outras mulheres que estão na batalha contra o câncer. O @BelaCareca não é interessante apenas para quem está em fase de tratamento, mas para qualquer pessoa que esteja precisando de um estímulo para enfrentar os desafios da vida”.

O efeito colateral mais impactante para a maioria das mulheres é, sem dúvida alguma, a queda dos cabelos, que o @BelaCareca transforma em símbolo de força em cada publicação. Na rede social, Juliana e outras mulheres exibem rostos cheios de beleza e esperança, capazes de fazer com que a ausência de cabelos seja um pequeno detalhe em comum. “No início fiquei muito chateada e achei que não sairia de casa até que meus cabelos voltassem a crescer. Quando raspei a cabeça, fiquei surpresa, pois senti um grande alívio ao olhar no espelho e continuar me sentindo não apenas bonita, mas ainda mais forte”.

A advogada destaca a importância do engajamento em campanhas de combate ao câncer. “As mulheres acreditam que o câncer de mama atinge somente aquelas com idade mais avançada ou histórico familiar da doença, sendo que apenas 5% dos casos são genéticos. O fato de ver mulheres jovens estampando as campanhas promove um choque de realidade necessário para alertar as mulheres de todas as idades”, conclui.

A responsável pelo perfil @BelaCareca tem participado de palestras e eventos relacionados à prevenção do câncer de mama. Ela, que gravou vídeos para a Humsol – uma ONG dedicada ao apoio de pacientes com câncer -, conta que pretende continuar atuando diretamente na luta contra a doença mesmo após o término do tratamento.

#Vida&Saúde

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